Passo #5: Gordura saturada faz mal? – texto do Dr Drauzio Varella

Estamos no 5º passo de nossa sequência e acho que faz sentido recapitular os quatro anteriores. Só pra não ficarmos perdidos 🙂

Rapidinho, vamos lá:

  1. Você entendeu o que é uma Alimentação Saudável: a mais natural possível, sem açúcar, grãos, óleos de grãos, nem glúten. Comer verduras e legumes, mas também usar a gordura natural dos alimentos (presente nas carnes, ovos, peixes, queijos, manteiga e outros) como fonte de energia. Manter a carga glicêmica baixa.
  2. Aprendeu que o processo de engordar / perder peso está intimamente ligado a hormônios (principalmente a insulina). A “sabedoria” tradicional (comer menos e se exercitar mais para perder peso) não faz sentido.
  3. Tirou o açúcar e a farinha de trigo do seu dia a dia.
  4. Aprendeu que contar calorias não funciona. Mais importante do que a quantidade de calorias e a sua qualidade.

Os passos 5, 6 e 7 falam sobre uma importante fonte de energia que atualmente é demonizada: a gordura natural dos alimentos (mesmo a saturada – aquela da manteiga, carne, macadâmia e outros).

Será que a gordura saturada faz mal?

Vamos mostrar que você não precisa ter medo dela*. Ela não só não engorda como pode ser saudável. E não vai causar problemas ao coração.

Antes de passar para o “prato principal” do nosso quinto passo, vale um esclarecimento.

Quando falamos gordura natural dos alimentos, nos referimos àquela que está na carne, frango, peixes e frutos do mar, ovos, azeite, abacate, coco, castanhas e amêndoas, azeitonas, manteigas e queijos, óleo de coco, nata e outras.

Estas são saudáveis. Agora, as gorduras hidrogenadas trans e gorduras poli-insaturadas dos óleos vegetais (soja, milho, canola, girassol e outros) não são boas.

Ficou claro?

Então agora sim seguimos.

Para que você comece a perder o medo dela, reproduzimos abaixo partes de um artigo de um dos mais respeitados médicos do Brasil: Dr. Dráuzio Varella.

“Quando analisamos as informações científicas que serviram de base para aconselhar mudanças tão drásticas no estilo de alimentação, no entanto, ficamos absolutamente surpresos: elas não permitem tirar as conclusões que foram apregoadas!

Embora 50% dos infartos do miocárdio ocorram em pessoas com colesterol normal, não há dúvida de que pessoas com níveis mais altos de LDL no sangue correm risco maior de doença coronariana.

Está demonstrado, também, que a redução do consumo de gordura animal faz cair os níveis de LDL. O que não está comprovado é que ingerir menos gordura animal diminua a probabilidade de ter ataque cardíaco ou de viver mais tempo.

Em outras palavras: até hoje, nenhum estudo epidemiológico para avaliar as consequências de uma dieta rica ou escassa em gordura animal na longevidade humana ou na prevalência de infarto do miocárdio conseguiu demonstrar relação de causa e efeito. (…)

Nos últimos 20 anos, enquanto o consumo de gordura animal caiu 6% (de 40% para 34%) na população americana, a prevalência de obesidade aumentou de 14% para mais de 22%. Ao lado dela, cresceram os casos de diabetes e hipertensão arterial. Esses dados conduzem a estas suspeitas:

1) Será que dietas mais pobres em gordura não levariam à obesidade?

2) A diminuição da atividade física provocada pelo aumento da massa corpórea não aumentaria o risco de doença cardíaca?

3) Não estaria no aumento do número de casos de diabetes e hipertensão ligados à obesidade parte da explicação para os ataques cardíacos do homem moderno?

A questão está longe de ser resolvida. Dizer que uma dieta pobre em gordura deve ser adotada porque se não prolongar a vida, mal não fará, não tem fundamento científico. E pode nem ser verdade.”

Para ver o texto completo, clique aqui.

Viu? Dá pra comer carne vermelha sem peso na consciência. Mas por favor, sem pão! 🙂

* para uma minoria, o aumento do consumo de gordura na dieta pode alterar significativamente o nível de LDL no sangue. Por isso, mantenha seus exames em dia assim como seu acompanhamento médico.

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6 comentários em “Passo #5: Gordura saturada faz mal? – texto do Dr Drauzio Varella

  • 29 de julho de 2015 em 9:45 AM
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    Olá Danilo,

    No passo 4 vocês alegam que não precisamos contar calorias, no entanto, no final do texto do Dr. Drauzio Varela, ele conclui que “Uma dieta sem excesso de calorias ajuda a prevenir diabetes, hipertensão, obesidade, resistência à insulina, reumatismo, impotência sexual, ataque cardíaco, derrame cerebral, câncer e outras doenças degenerativas. Não está bom?”.
    Fiquei um pouco confusa.
    Afinal, temos ou não que controlar as calorias ingeridas??

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    • 29 de julho de 2015 em 11:26 AM
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      Oi Ana, muito boa pergunta.

      Por incrível que pareça, as duas coisas são compatíveis. Normalmente, em pessoas sem distúrbios mais sérios, se você come comida de verdade, seu corpo fará a regulação adequada de quanto comer. Você se sente saciado com menos calorias e não precisa ficar fazendo mil refeições. Ou seja, não haverá “excesso” de calorias.

      Alimentando-se desta maneira, você come quando tem fome, sendo desnecessário contar calorias para viver bem ou emagrecer. É uma alimentação que estamos geneticamente adaptados a ter. Por isso, nosso corpo sabe lidar muito melhor com ela, “pedindo” calorias quando necessário.

      Neste contexto, então, contar calorias é inútil (mais do que isso, atrapalha). Fez sentido?

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  • 12 de janeiro de 2016 em 3:15 AM
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    gostaria de saber se o açúcar de coco é benéfico à saúdae.

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    • 19 de janeiro de 2016 em 8:30 AM
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      Oi Maria Luiza, tudo bem?

      Açúcar de coco não deixa de ser açúcar. Existe muita controvérsia a respeito do Índice Glicêmico do açúcar de coco, que dizem ser baixo, mas inicialmente foi medido pela própria associação é responsável por promover o produto. Ou seja, conflito de interesses enorme.

      Acredito que exista uma alimentação benéfica à saúde, e nunca um alimento isoladamente. Você consegue os mesmos micro e macro nutrientes do açúcar de coco em outros alimentos (que não são açúcar).

      Portanto, creio que vale a regra que diz que o veneno está na quantidade. Se você consumir açúcar de coco ocasionalmente (e realmente for de vez em quando) não há grandes problemas. Mas seu consumo regular não faria sentido dentro da filosofia da Comida de Verdade, ainda mais se for low carb.

      Então, se você for consumir este açúcar porque alguém afirmou que ele é “bom para a saúde”, pense duas vezes. Há alternativas saudáveis que não mexem na insulina e glicemia tanto quanto este açúcar e tem muito mais nutriente. Por outro lado, se você for usar ocasionalmente em receitas, me parece que ele é uma alternativa superior ao açúcar refinado comum.

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  • 1 de novembro de 2017 em 1:49 PM
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    Boa tarde.

    Meu colesterol esta no limite e nas ultimas semanas estou consumindo gordura de origem animal (banha de porco). Gostaria de saber, se é viável continuar com a banha ou se utilizo óleo vegetal (soja).

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    • 9 de novembro de 2017 em 10:57 AM
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      oi João, tudo bem? Todas estas questões “fora de curva” devem ser acompanhadas por seu médico, penso eu.
      De qualquer forma, óleo de soja não seria uma alternativa saudável. Por que não usar azeite de oliva extra virgem?

      Resposta

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